Enquanto Bryan permanecia diante da antiga casa, sem soltar por um único instante as mãos de Elizabeth e Emily, Emma levou Michael Foster para uma sala reservada no distrito policial. Ela precisava confirmar uma suspeita que, desde a descoberta do sobrenome Blackwood, não saía de sua cabeça.
Assim que a porta foi fechada, Michael permaneceu em silêncio. Mantinha os olhos baixos e respirava profundamente, como se tentasse encontrar coragem para dizer algo que guardava havia muitos anos.
Emma puxou uma cadeira e sentou-se à sua frente.
— Michael... eu preciso que o senhor seja completamente sincero comigo.
Ele continuou calado.
— Isso pode ser a única chance de entendermos o que está acontecendo.
Depois de alguns minutos em silêncio, Michael finalmente levantou os olhos.
— Eu já imaginava que esse momento ia chegar.
Emma permaneceu em silêncio.
— Anos atrás... eu tive um relacionamento com a Sarah.
As palavras pareciam pesar sobre seus ombros.
— Naquela época, meu casamento com a Laura estava desmoronando. A gente discutia praticamente todos os dias. Nada dava certo. A Sarah também passava por um momento complicado. O David vivia trabalhando. Quase nunca estava em casa. Nós acabamos nos aproximando... primeiro como amigos.
Michael fez uma breve pausa.
— Depois deixou de ser só amizade. Pouco tempo depois, ela descobriu que estava grávida.
Sua voz ficou ainda mais baixa.
— Nós dois entramos em pânico. Sabíamos que aquilo destruiria duas famílias. Então decidimos esconder tudo. Cada um continuou com sua vida, e aquele assunto nunca mais foi mencionado.
Emma permaneceu alguns segundos em silêncio. Agora entendia por que Elizabeth e Emily eram tão parecidas. Assim que deixou a sala, pegou o telefone e ligou imediatamente para Bryan.
— Você estava certo.
— Ele confirmou?
— Confirmou tudo. Michael e Sarah tiveram um relacionamento anos atrás. Existe uma grande possibilidade de Elizabeth e Emily terem o mesmo pai.
Bryan olhou para as duas meninas. Mais uma peça acabava de se encaixar. Mesmo cercado por dezenas de policiais, continuava mantendo Elizabeth e Emily sempre ao seu lado. Depois do que acontecera naquela noite, não pretendia soltá-las novamente.
Cerca de trinta minutos depois, um carro antigo atravessou lentamente o bloqueio policial. Alguns agentes se aproximaram, mas Bryan fez um sinal para que o veículo passasse.
Assim que a porta se abriu, Liam Carter desceu. Pai e filho permaneceram alguns segundos apenas se encarando. Fazia muitos anos que não se viam. Nenhum dos dois sorriu. Não houve abraço. Não houve pedido de desculpas. Nem qualquer tentativa de recuperar o tempo perdido. Liam apenas passou por Bryan e caminhou diretamente até Elizabeth e Emily.
Retirou do bolso um pequeno frasco contendo um óleo de aparência dourada, molhou delicadamente os dedos e fez um pequeno sinal na testa de Elizabeth. Depois repetiu exatamente o mesmo gesto em Emily, fechou os olhos e começou a recitar uma antiga oração em latim.
Bryan nunca havia aprendido aquela língua. Mesmo assim, por alguma razão, conseguia compreender perfeitamente o significado de cada palavra, como se aquelas frases sempre tivessem existido em algum lugar dentro de sua memória.
A oração dizia:
"Que tua graça seja derramada sobre tuas filhas. Que nenhuma força das trevas encontre seus passos. Que permaneçam ocultas aos olhos do mal até que este combate termine".
Quando terminou, Liam guardou novamente o pequeno frasco.
Bryan respirou fundo.
— E agora?
— Esse óleo apenas esconderá temporariamente a presença delas. Durante algumas horas, Moloque não conseguirá encontrá-las, mas isso não resolve o problema. Se quisermos impedir que tudo piore, teremos que voltar para dentro da casa. Antes... preciso que você me conte absolutamente tudo o que aconteceu desde o desaparecimento da primeira criança.
Bryan resumiu toda a investigação, desde o relato de Elizabeth até a descoberta dos túneis, da estátua, do símbolo no teto e da fotografia escondida. Liam ouviu atentamente, interrompendo apenas algumas vezes para confirmar pequenos detalhes.
Quando terminou, Bryan entregou Elizabeth e Emily aos cuidados de um policial de confiança. Segurou o ombro do agente antes de se afastar.
— Não desvie os olhos delas nem por um segundo.
O policial fez um gesto afirmativo. Bryan e Liam atravessaram novamente a porta da velha casa. Assim que entraram, Liam pediu que ela fosse fechada.
— Existe um antigo ritual de revelação — explicou. — Se alguém realmente rompeu o selo que aprisionava Moloque, ele vai nos mostrar exatamente quem entrou nesta casa.
Bryan apenas concordou. Liam caminhou até o centro da sala, fechou os olhos e começou a recitar a antiga oração. Quando terminou, absolutamente nada aconteceu. Ele respirou fundo. Tentou novamente. Mais uma vez...
Silêncio.
Liam franziu a testa.
— Isso não é possível...
Foi então que Bryan deu um passo à frente. A expressão em seu rosto demonstrava que tentava recordar alguma coisa.
— Pai... acho que o senhor pronunciou uma das frases de forma errada.
Liam virou lentamente o rosto.
— O quê?
Bryan continuou.
— Acho que o certo é... Per veritatem aeternam, revela eum qui sigillum fregit.
O silêncio tomou conta da casa.
Liam permaneceu completamente imóvel. Seus olhos se arregalaram e, durante alguns segundos, apenas encarou o próprio filho. Então um discreto sorriso surgiu em seu rosto. Não era um sorriso de alívio nem de felicidade, mas de quem acabava de confirmar uma suspeita que guardava havia muitos anos.
Bryan estranhou completamente aquela reação.
— O que foi?
Antes que Liam pudesse responder, a casa inteira começou a tremer. As paredes vibraram, o assoalho rangia como se estivesse prestes a desabar e as janelas bateram violentamente umas contra as outras. Então tudo ao redor começou a mudar. Era como assistir a um filme sendo reproduzido ao contrário. A poeira voltava lentamente para os móveis. As tábuas quebradas se reconstruíam diante de seus olhos. Objetos retornavam exatamente aos lugares onde estavam horas antes, enquanto toda a casa parecia desfazer o tempo.
Bryan e Liam observavam aquela cena sem conseguir desviar o olhar. As imagens avançavam rapidamente. Mostravam as primeiras viaturas chegando. Os policiais isolando o perímetro. A entrada na casa. A descoberta do símbolo no teto. A descida ao porão. A revelação dos túneis. Tudo acontecia novamente diante deles, cada vez mais depressa, até que as imagens desaceleraram repentinamente. A casa agora estava completamente vazia. Alguns instantes depois, a porta principal se abriu.
Uma mulher entrou sozinha.
Ela caminhou lentamente até o centro da sala, ajoelhou-se exatamente abaixo do símbolo desenhado no teto, retirou um pequeno objeto do bolso e começou a recitar um antigo ritual. À medida que as palavras eram pronunciadas, o desenho no teto parecia ganhar vida, o ar tornava-se cada vez mais pesado e as tábuas estremeciam sob seus pés.
Então uma intensa luz tomou conta de todo o ambiente. Quando desapareceu... o selo havia sido rompido. A mulher levantou-se lentamente e virou o rosto na direção de Bryan e Liam. Foi então que Bryan reconheceu imediatamente aquela mulher... era Laura Foster, esposa de David e mãe de Emily.