Enquanto as primeiras equipes de resgate iniciavam a escavação dos túneis soterrados, o restante da operação se espalhava rapidamente por Willow Creek. Viaturas bloqueavam ruas inteiras, holofotes iluminavam quintais, terrenos vazios e casas vizinhas, enquanto peritos da polícia científica, investigadores criminais e especialistas em cena de crime trabalhavam lado a lado, registrando cada detalhe encontrado na antiga residência e nas casas ao redor.
Nenhuma pista seria ignorada. Era preciso descobrir como tantas crianças haviam desaparecido sem que uma única testemunha tivesse visto ou ouvido algo que ajudasse a explicar o que havia acontecido.
No meio daquela movimentação, apenas duas crianças permaneciam em segurança: Elizabeth Foster e Emily Mitchell, a menina de oito anos encontrada observando toda a confusão da janela da casa ao lado.
Emma Brooks acompanhou as duas até uma viatura.
— Quero vocês comigo — disse aos pais das meninas. — Vamos levá-las para o distrito. Lá será mais seguro.
Laura Foster ajudou Elizabeth a entrar no veículo, enquanto David e Sarah Mitchell fizeram o mesmo com Emily, que permanecia estranhamente calada desde que deixara a janela. Assim que todos embarcaram, a viatura deixou o bairro escoltada por outra equipe.
Durante todo o trajeto, nenhuma das meninas disse uma palavra. Elizabeth mantinha os olhos baixos e apertava as próprias mãos sobre o colo, enquanto Emily permanecia imóvel, olhando pela janela como se ainda tentasse compreender o caos que havia deixado para trás.
Emma observava as duas pelo retrovisor, tentando encontrar alguma diferença entre elas e as outras crianças desaparecidas. Havia algo que não fazia sentido. Se tantas haviam sumido praticamente ao mesmo tempo, por que justamente aquelas duas continuavam ali?
Enquanto isso, Bryan Carter permanecia na casa abandonada. A movimentação dos peritos era intensa: fotógrafos registravam cada cômodo, técnicos recolhiam amostras de poeira e terra, enquanto outros catalogavam cuidadosamente os objetos encontrados no porão.
Bryan caminhava lentamente pela residência, observando mais uma vez cada detalhe da antiga construção. Parou diante da enorme pintura no teto, cuja figura de aparência monstruosa parecia observá-lo da escuridão, e poucos minutos depois desceu novamente ao porão, onde a luz da lanterna revelou a gigantesca estátua escondida entre os escombros. Ele permaneceu alguns segundos encarando aquela imagem, pois, quanto mais analisava seus traços, mais tinha a impressão de já tê-la visto em algum lugar.
— Onde foi...? — murmurou para si mesmo.
Sem encontrar a resposta, retirou o celular do bolso, fotografou a pintura e a estátua de diversos ângulos e enviou todas as imagens para um antigo professor universitário especializado em história das religiões, alguém em quem confiava sempre que uma investigação envolvia símbolos antigos ou crenças pouco conhecidas.
A resposta chegou poucos minutos depois. Bryan abriu a mensagem, leu a primeira linha e voltou a lê-la com mais atenção, sentindo a expressão desaparecer lentamente de seu rosto.
A mensagem dizia:
"A figura retratada nas imagens representa Moloque, uma antiga divindade frequentemente associada, em registros históricos e tradições antigas, a rituais envolvendo o sacrifício de crianças."
Bryan permaneceu imóvel por alguns instantes, olhando novamente para a pintura e, em seguida, para a estátua. As palavras do especialista pareciam incompatíveis com qualquer explicação racional, e quanto mais peças surgiam, menos sentido aquela investigação fazia.
No distrito policial, Emma conduziu Elizabeth, Emily e seus respectivos pais até uma sala reservada para depoimentos. Antes mesmo de iniciar qualquer conversa, voltou-se para um dos policiais que permanecia do lado de fora.
— Quero esta sala isolada.
O policial confirmou com um gesto.
— Ninguém entra sem minha autorização. Nem policiais, nem investigadores, nem funcionários. Entendido?
— Sim, investigadora.
Emma esperou até que a porta fosse fechada. Pela primeira vez desde o início daquela noite, as duas meninas pareciam estar protegidas, ou pelo menos era nisso que ela queria acreditar.
Enquanto organizava suas anotações sobre a mesa, seu celular vibrou. Era uma mensagem de Bryan.
"Encontrei uma caixa escondida dentro de um armário falso. Acho que você precisa ver isso".
Emma saiu da sala de interrogatório e foi para a sala ao lado, de onde podia observar as duas famílias através do vidro. Logo abaixo da mensagem havia várias fotografias. Emma começou a deslizar a tela lentamente e observou a primeira imagem, que mostrava a fachada da casa abandonada muitos anos antes. A segunda registrava a rua em outra época, enquanto a terceira parecia retratar uma festa de bairro realizada décadas atrás.
Ela continuou passando as imagens até parar diante de uma fotografia antiga, já amarelada pelo tempo e provavelmente tirada cerca de trinta anos antes. Nela apareciam um homem, uma mulher e duas pequenas meninas sorrindo diante da mesma casa abandonada.
Emma aproximou a fotografia e franziu a testa. Depois ampliou ainda mais a imagem. Nesse instante, seu coração acelerou. Lentamente, levantou os olhos, olhou para Elizabeth, depois para Emily e voltou imediatamente para a fotografia.
As duas meninas retratadas naquela imagem antiga eram assustadoramente parecidas com Elizabeth e Emily. O formato do rosto, os cabelos, o sorriso e até mesmo a diferença de altura entre elas pareciam exatamente os mesmos.
Por alguns segundos, Emma permaneceu completamente imóvel. Aproximou novamente a fotografia da tela, como se esperasse encontrar algum detalhe que provasse estar enganada, mas não encontrou. Abaixou lentamente o celular, voltou a observar pelo vidro as duas crianças sentadas na sala à sua frente e sentiu um frio percorrer sua espinha.
Aquilo não podia ser apenas coincidência.
Assim que recebeu as fotografias, o detetive Bryan Carter ligou imediatamente para Emma Brooks. Ele precisava saber se ela também havia percebido o que parecia simplesmente impossível.
Emma atendeu depois do segundo toque.
— Emma... você viu as últimas fotos?
— Vi.
— E reparou nas meninas?
— Sim.
Bryan respirou fundo antes de continuar.
— Elas são muito parecidas.
— Não... Elas são praticamente iguais.
Os dois permaneceram em silêncio por alguns segundos. A antiga fotografia encontrada dentro da casa abandonada mostrava duas meninas que, apesar de terem vivido cerca de trinta anos antes, possuíam uma semelhança impressionante com Elizabeth Foster e Emily Mitchell. O formato do rosto, os cabelos, o sorriso e até mesmo a diferença de altura entre elas pareciam exatamente os mesmos.
Bryan tentou encontrar alguma explicação racional para aquilo, mas nenhuma fazia sentido. Talvez fossem parentes distantes. Talvez fosse apenas uma coincidência extraordinária. Ainda assim, quanto mais observava aquela fotografia, mais difícil era acreditar em qualquer uma dessas hipóteses.
Foi então que percebeu uma mudança na voz de Emma. Ela parecia diferente, muito mais tensa do que durante toda a investigação.
— Emma... aconteceu alguma coisa?
Do outro lado da ligação, ela permaneceu alguns segundos em silêncio antes de responder.
— Você não vai acreditar se eu contar.
Bryan parou imediatamente de caminhar pelo porão da casa.
— O que aconteceu?
Enquanto segurava o telefone junto ao ouvido, Emma continuava observando a sala de interrogatório através do vidro de observação. Elizabeth e Emily permaneciam sentadas lado a lado, completamente imóveis e olhando fixamente para a parede à sua frente, como se nem sequer percebessem a presença das outras pessoas na sala.
Foi então que as duas abriram a boca exatamente no mesmo instante.
— Nos leve de volta.
Emma franziu a testa. A princípio acreditou que aquilo fosse apenas uma reação ao trauma vivido naquela noite.
Michael Foster aproximou-se lentamente da filha.
— Elizabeth...
Ela não respondeu.
Laura ajoelhou-se ao lado da cadeira.
— Filha... olha para mim.
Nenhuma reação.
Do outro lado da sala, Sarah Mitchell segurou delicadamente o rosto de Emily.
— Emily... está tudo bem.
A menina permaneceu imóvel. David também tentou conversar com ela, mas foi interrompido quando as duas voltaram a repetir exatamente a mesma frase, na mesma entonação e sem desviar os olhos da parede.
— Nos leve de volta.
Emma continuava observando tudo em silêncio. A sincronia entre as duas era perfeita, como se uma única voz estivesse sendo reproduzida por dois corpos diferentes. Nenhuma olhava para a outra, nenhuma demonstrava qualquer emoção. Elas apenas repetiam a mesma frase mais uma vez, depois outra, sempre mais lentamente.
— Nos... leve... de volta...
Um arrepio percorreu a espinha de Emma. Ela deixou a sala de observação e caminhou rapidamente até a porta da sala de interrogatório. Girou a maçaneta e tentou abri-la, mas ela não se moveu. Fez mais força e tentou novamente, percebendo que continuava completamente travada, como se alguém a estivesse segurando pelo lado de dentro.
— Abram a porta! — gritou.
Nesse mesmo instante, as vozes das meninas mudaram. A frase permanecia exatamente a mesma, mas agora havia outra voz, mais grave, áspera e antiga, quase impossível de identificar.
— Nos... leve... de volta...
Emma recuou um passo e chamou pelos policiais que estavam no corredor. Em poucos segundos, vários agentes correram até a porta e tentaram abri-la juntos, mas nenhum conseguiu movê-la sequer alguns centímetros. Do lado de dentro, Michael Foster, Laura Foster, Sarah Mitchell e David Mitchell também tentavam girar a maçaneta desesperadamente, empurrando a porta, batendo com força e gritando por socorro, mas era como se ela simplesmente tivesse deixado de existir.
Então as luzes começaram a piscar. Primeiro uma vez, depois outra e mais uma, cada vez mais rapidamente, enquanto as vozes das meninas aceleravam no mesmo ritmo.
— Nos leve de volta... nos leve de volta... nos leve de volta...
As lâmpadas explodiram quase ao mesmo tempo e todo o distrito mergulhou na escuridão. Durante alguns segundos, ninguém conseguia enxergar absolutamente nada. Então as luzes voltaram e a porta destravou sozinha.
Emma girou imediatamente a maçaneta e entrou na sala acompanhada pelos policiais. Os quatro pais estavam abraçados em um dos cantos, completamente desesperados. Ela correu até eles para verificar se alguém havia se machucado, mas nenhum apresentava qualquer ferimento.
Foi somente quando todos voltaram os olhos para o centro da sala que perceberam que as duas cadeiras permaneciam vazias e Elizabeth e Emily haviam desaparecido. Emma ficou completamente imóvel. O telefone ainda estava em sua mão e, com a voz trêmula, voltou a falar com Bryan.
— Bryan...
— Emma?
— Elas desapareceram.
Do outro lado da ligação instalou-se um longo silêncio.
— As duas meninas desapareceram na frente de todo mundo.
Bryan demorou alguns segundos para responder.
— Não...
Emma franziu a testa.
— O que você quer dizer?
Bryan respirou fundo antes de responder.
— Elas não desapareceram... Elas estão aqui.
Sem conseguir entender o que acabara de ouvir, Emma permaneceu em silêncio.
Bryan levantou lentamente os olhos. A poucos metros da antiga casa abandonada, Elizabeth e Emily estavam de mãos dadas, completamente imóveis, observando silenciosamente a fachada da residência, como se esperassem que alguém abrisse a porta.